Fine Art

Tecidos de luz

 

 

            Você já comprou uma fotografia? Não responda. Eu respondo por você: Não! Quando alguém comprar alguma, o que leva a isso? O fotógrafo se tornou celebridade nacional, valor sentimental ou valor do investimento? Seria então sua beleza estética? Perguntas e mais perguntas que não se calam e colocam em xeque o julgamento do que seria ou não obra de arte e quais os limites para essa análise em nossa sociedade.

            A fotografia como obra de arte já existe e tem nome: chama-se fine print photography. Trata-se de uma fotografia especial, elaborada com os devidos cuidados e tratamento personalizado, fotografia essa que se diferencia totalmente do batalhão de imagens que todos os dias estão ao nosso dispor. Para ser mais específico, essa técnica está em evidência e difundida há muitos anos na Europa e nos Estados Unidos, onde já possui local de destaque, alcançando status nobre como as demais obras, o que acaba de vez com a eterna comparação com a pintura ou mesmo gravuras, estando cada qual em seu devido lugar e valorizadas independentemente. Basta colocar aqui que, em 1933, o MoMA (Museum of Modern Art) de Nova York abrigou a primeira exposição fotográfica da história, com imagens de Edward Weston. Dessa forma, o MoMA recebeu a fotografia e seu campo de criação puro e afirmou categoricamente: “fotografia é arte”.

Assim, fotógrafos brasileiros fazem mais sucesso lá no exterior do que aqui mesmo no Brasil, bastando verificar a trajetória de dois dentre muitos outros mestres da arte fotográfica nacional, como Sebastião Salgado e Miguel Rio Branco.

            A fine print photography ou “fotografia-arte” se caracteriza por elementos de extremo cuidado e elaboração detalhada, fazendo de sua concepção algo mágico e transformador aos olhos cuidadosos de “artistas da imagem”. Ao ampliar sua fine print, o fotógrafo toma o cuidado para colocá-la em papéis especiais, diferentemente dos papéis encontrados no comércio, os quais podem se apagar com o passar do tempo. As molduras são trabalhadas de modo especial para garantir que a obra não perca o valor, nem seja depreciada.

            Com o advento do sistema digital e por ser muito popular, a fotografia é produzida aos milhares e milhares em nossa sociedade, podendo assim dizer que, em cada casa, há uma máquina fotográfica clicando sem qualquer conhecimento técnico e sensibilidade necessária para tal. Seria como dizer que quem tem um cavalete se torna um pintor. Assim, caminha em largos passos o mercado fotográfico que conhecemos, esquecendo-se que para essa arte, precisa-se de investimento em conhecimento técnico, sensibilidade e além de tudo, possuir o chamado “dom”. Esses são alguns dos requisitos para ser um fotógrafo - isso em uma concepção mais ampla da profissão.

            Cabe então, a partir de já, conscientizarmos nossa sociedade como um todo em difundir essa técnica fotográfica e colocá-la como decoração de seus ambientes, sejam eles de casa ou do trabalho. É buscar em nosso mercado fotógrafos dotados da apurada técnica e percepção, abrindo caminhos aos artistas da lente que clamam por seu espaço, passando a serem agentes e obrigando assim os galeristas e marchand a colocarem em seus portfólios as fine prints. Quem sabe com essa consciência coletiva poderemos em pouco tempo colocar nossa arte em locais nunca antes vistos e acabar de vez com comparações infundadas das demais técnicas, mostrando ao mundo nossos talentos ainda escondidos e intimidados.

 

Fernando Priamo
Repórter-fotográfico

Crônica "Dia da Fotografia"

Diálogo com Juiz de Fora

 

 

            Certa vez, sonhei que estava conversando com a cidade de Juiz de Fora. Estávamos sentados no Cine Theatro Central (na primeira fila, é claro!). Como o ambiente era totalmente voltado à arte, estávamos extasiados pelo encanto e beleza do local, que nos acolhia com toda majestade e imponência. Todos que por ali passaram, o reverenciaram com sua arte e magia.

Estava eu, repórter-fotográfico da Tribuna de Minas, explicando a Juiz de Fora como a observava todos os dias através das minhas lentes, registrando cada movimento e mudança que acontecia. Foi aí, então, que Juiz de Fora me questionou qual seria o meu presente para ela no dia da fotografia. Pensei por alguns momentos e, sem pestanejar, falei em alto e bom som:

- Aqui mesmo no Cine Theatro Central será o palco do meu presente. Uma fotografia, sem qualquer sombra de dúvida, representará todo o meu carinho e amor por ti. Nessa imagem estará contido um sentimento maior que só se representa através da arte. Ela sim, poderá responder todas as perguntas e indagações que por ventura puderem existir quando alguém me pergunta sobre como te vejo. Nessa imagem, você estará plenamente representada como tantos outros artistas e cidadãos juizforanos já o fizeram através da sua arte ou atividade.

Então, Juiz de Fora, sem deixar a emoção tomar conta de nós dois, me abraça e com toda a sua característica acolhedora me olha e diz:

- “Filho dessa terra, meu filho! Quero te pedir uma coisa: jamais me deixe passar despercebida pelos seus olhos atentos e jamais deixe de amparar qualquer filho dessa terra com um clic fotográfico. Seja correto e honesto com suas reportagens-fotográficas; agindo dessa forma  estarei sempre de portas abertas acolhendo a qualquer um que possa de mim precisar”.

Ao ouvir atentamente sua breve colocação, presenteei a bela Juiz de Fora com uma fotografia marcante, artística - o majestoso interior do seu Cine Theatro Central. E ainda disse a ela:

- “A beleza consiste no fato de que o comportamento e os atos de uma pessoa sejam bem proporcionados, segundo a luz da razão”. Assim, consegui fazer Juiz de Fora um pouco mais feliz no dia da fotografia.


FERNANDO PRIAMO
Repórter-fotográfico